O papel do exercício físico na melhora da qualidade de vida de mulheres menopausadas

A menopausa é definida como o último episódio de sangramento menstrual de uma mulher, determinada retrospectivamente após 12 meses de amenorreia. Ela ocorre em média aos 51 anos e reflete a depleção folicular ovariana. 

A atividade física (AF) e/ou o exercício físico (EF) são potenciais tratamentos não farmacológicos para os sintomas que se manifestam na transição menopausal.  A AF corresponde aos movimentos corporais realizados pela musculatura, com gasto energético, enquanto o EF se  trata  de  uma subcategoria da AF que é proposital, planejada, estruturada e repetitiva, com a finalidade de manter e promover a melhoria da saúde e da aptidão física. Sustentando a tese de que a AF seja um dos potenciais tratamentos não farmacológicos para os sintomas do climatério, o estudo de Carcelén-Farile et al. verificou que o sedentarismo em   mulheres   na   pós-menopausa   aumentou   problemas   que   podem estar relacionados ou não à menopausa, por exemplo aqueles relativos à saúde física e psicológica. Além disso, outro estudo aponta que mulheres obesas apresentam sintomas mais fortes do que aquelas eutróficas, demonstrando a existência de uma correlação entre sobrepeso, obesidade e IMC com a intensidade dos sintomas na pós-menopausa. 

O objetivo deste estudo foi avaliar o papel da prática de EF na percepção da melhora da qualidade de vida em mulheres menopausadas. 

Metodologia e resultados:  o estudo foi realizado por meio da aplicação de três questionários que versam sobre o nível de AF (IPAQ longo), sintomas climatéricos (MRS) e qualidade de vida da mulher (QSM). Na análise da classificação a partir do MRS, verificou-se uma tendência geral de maior carga sintomática menopausal (p = 0,019) e aumento da intensidade dos sintomas psicológicos (p = 0,035) naquelas mulheres não praticantes de EF. O QSM demonstrou que há menos sintomas climatéricos e melhor qualidade de vida em mulheres praticantes de EF, sendo que este grupo apresentou humor menos deprimido (p = 0,026) e carga de sintomas somáticos (p = 0,04) e cognitivos (p = 0,032) que o grupo não praticante de EF.

Conclusões e considerações finais: O EF melhora aspectos da qualidade de vida em mulheres na pós-menopausa, enquanto a AF parece não ser suficiente para causar a melhora sintomatológica.

O papel do exercício físico na melhora da qualidade de vida de mulheres menopausadas

M O Moreira, T M Castello, M L M Fajardo et al

Rev. Med (São Paulo) 2024, vol 103 (1): e-215854

https://revistas.usp.br/revistadc/article/view/215854/203652