O aumento global do envelhecimento populacional contribuiu para que as doenças cardiovasculares (DCVs) se tornassem uma preocupação de saúde dominante entre idosos, que frequentemente apresentam uma série de condições coexistentes.
Essas síndromes geriátricas complicam o tratamento cardiovascular padrão, tornando estratégias multidisciplinares colaborativas e centradas no paciente essenciais para melhorar os resultados de saúde e a independência funcional.
Esta revisão narrativa tem como objetivo explorar a eficácia de modelos integrados e baseados em evidências de tratamento cardiovascular multidisciplinar na melhoria dos resultados clínicos e da qualidade de vida (QV) entre adultos geriátricos. O objetivo é avaliar e comparar o impacto desses modelos em relação às práticas tradicionais, explorando também os principais desafios e inovações recentes no tratamento cardiovascular para populações em envelhecimento. A revisão documenta definições, descobertas, atualizações recentes e abordagens práticas que podem ser implementadas na prática geriátrica abordando desafios diagnósticos e terapêuticos em cardiologia geriátrica; desvantagens dos modelos tradicionais focados em doenças em idosos; fragilidade, multimorbidade, polifarmácia e superação delas; iniquidades e disparidades em saúde em populações cardiogeriátricas; e, finalmente, sobre algumas das áreas que necessitam de pesquisas e políticas futuras.
Esta revisão narrativa investiga as DCV que afetam um subconjunto significativo da população em geral: os idosos. Da apresentação dos sintomas ao diagnóstico e seu respectivo tratamento, a idade tem um impacto notável nas DCV. Enquanto na população mais jovem as diretrizes de tratamento visam a melhora da doença, os idosos requerem uma abordagem abrangente que também se concentre na melhoria da qualidade de vida. Temos enfatizado a necessidade de um modelo multidisciplinar de cuidado e sua eficácia nos aspectos mentais e sociais da vida. A multimorbidade e a polifarmácia estão entre as várias facetas que precisam ser levadas em consideração no diagnóstico e no manejo a longo prazo de qualquer DCV.
Conclusões: os autores desta revisão enfatizaram que é preciso estar ciente dos diversos vieses enfrentados por idosos de diferentes condições econômicas, sociais e étnicas. Estes incluem o preconceito etário em ensaios clínicos, as disparidades no acesso a cuidados especializados e o subdiagnóstico em subgrupos marginalizados, incluindo mulheres, minorias e idosos LGBTQ+. Deve ser criado um modelo de tratamento que inclua diferentes idades, raças e sexualidades.
Esses desafios essenciais precisam ser enfrentados com diagnósticos ajustados à idade, incluindo o uso de limiares de biomarcadores cardíacos personalizados (por exemplo, troponina, NT-proBNP), critérios de imagem e avaliações funcionais específicas para populações mais velhas. Medicamentos mais seguros, como NOACs e inibidores de PCSK9, a colaboração entre equipes e a integração de tecnologia e cuidados paliativos também são essenciais. Estratégias preventivas, como modificações no estilo de vida, exames regulares e apoio comunitário, devem ser priorizadas como parte do cuidado cardiovascular geriátrico abrangente. Enfrentar esses desafios requer uma reforma curricular orientada por estruturas de cuidado geriátrico para melhor preparar os profissionais de saúde para as complexidades da medicina cardiovascular geriátrica.
■ Optimizing cardiovascular care in aging populations: a comprehensive review of geriatric Cardiology
S Agarwal, I N Ozor, S Chithanuru, E O Odumosu et al
Cureus 2025, vol 17 (7): e87992

