Previsão da incidência de hipertensão na França e fatores associados: resultados da coorte CONSTANCES

Mais de um bilhão de pessoas são afetadas pela hipertensão no mundo, e espera-se que mais de 1,56 bilhão de pessoas sejam afetadas em 2025. O impacto da hipertensão no risco cardiovascular global está atualmente bem estabelecido.

As diferenças entre os sexos na hipertensão são bem documentadas. Os homens geralmente apresentam taxas mais altas de hipertensão do que as mulheres na pré-menopausa; no entanto, essa tendência se inverte após a menopausa, provavelmente devido a alterações hormonais que aumentam a suscetibilidade nas mulheres. Essas diferenças ressaltam a importância de estratégias de prevenção e tratamento específicas para cada sexo, particularmente em populações mais velhas.

– O diagnóstico da hipertensão é simples, não invasivo e amplamente controlável por meio de estratégias farmacológicas e não farmacológicas. Apesar disso, a conscientização e o controle permanecem subótimos. Na França, aproximadamente 30% dos adultos são afetados pela hipertensão, com taxas de conscientização entre 45 e 50%. No entanto, cerca de 50% dos indivíduos tratados não atingem as metas de pressão arterial recomendadas. Além disso, dados robustos de incidência de estudos populacionais em larga escala na França são notavelmente escassos, limitando nossa capacidade de compreender completamente a progressão da hipertensão e de desenvolver estratégias personalizadas de prevenção e tratamento para a população francesa.

As Diretrizes da Sociedade Europeia de Hipertensão (ESH) e da Sociedade Internacional de Hipertensão identificam os principais preditores de hipertensão, incluindo IMC, níveis de pressão arterial, histórico familiar e fatores de estilo de vida. Estudos de Kivimäki et al. e Vaura et al demonstraram que a combinação de escores de risco genético com fatores de risco tradicionais aumenta significativamente a precisão preditiva. Além disso, Kanegae et al. destacaram o potencial do aprendizado de máquina para a predição da hipertensão arterial usando medidas de rigidez arterial, alcançando alta precisão (AUC = 0,881). No entanto, estudos semelhantes em larga escala estão ausentes em coortes francesas e europeias, criando uma lacuna crítica nos dados necessários para adaptar as estratégias de prevenção e tratamento aos contextos regionais.

Para enfrentar esses desafios, novos dados abrangentes de incidência e o desenvolvimento de estratégias de rastreamento precoce – particularmente aquelas direcionadas a indivíduos com alto risco de desenvolver hipertensão – são cruciais. Esses esforços podem melhorar significativamente a compreensão, aprimorar o tratamento e reduzir o risco cardiovascular. O objetivo deste estudo foi estimar a incidência de hipertensão e melhorar o rastreamento na população em geral pode melhorar o controle da pressão arterial e diminuir os riscos cardiometabólicos. Identificar aqueles com probabilidade de desenvolver hipertensão é essencial. O estudo se concentrou em prever o início da hipertensão e sua incidência com base nas características iniciais.

Metodologia e resultados: os pesquisadores utilizaram dados da coorte prospectiva francesa CONSTANCES, incluindo voluntários avaliados duas vezes ao longo de 5 anos até 31 de dezembro de 2019, que inicialmente não apresentavam hipertensão. Hipertensão foi definida como PAS de pelo menos 140 mmHg ou PAD de pelo menos 90 mmHg durante a segunda consulta ou se medicação anti-hipertensiva foi prescrita. Calcularam as taxas de incidência anuais entre os subgrupos e utilizamos modelos de aprendizado de máquina para identificar preditores de hipertensão. O impacto das mudanças no IMC foi analisado por regressão logística.Dos 11.112 participantes (idade média de 47,5 ± 12 anos), 1.929 (17,4%) desenvolveram hipertensão em um período médio de 5,2 anos, com 383 em uso de medicação. A taxa de incidência foi de 3,4 novos casos por 100 pessoas-ano, aumentando com a idade e consistentemente maior em homens (4,3 vs. 2,8). Um limiar de pressão arterial (PA) de 130 mmHg previu 70% dos novos casos. A redução de um ponto no IMC reduziu significativamente o risco de hipertensão em 16%, independentemente dos níveis iniciais de IMC e PAS.

Conclusão: o estudo relatou uma incidência notável de hipertensão de 3,4 novos casos por 100 pessoas-ano, particularmente entre aqueles com PAS acima de 130 mmHg, destacando a necessidade de triagem regular. O diagnóstico e o controle precoces podem mitigar os efeitos adversos da hipertensão, enfatizando o papel crucial de medidas preventivas como a redução do IMC.

Prediction of incidence of hypertension in France and associated factors: results from the CONSTANCES cohort

Lynda Cheddani, Hélène Lelong, Marcel Goldberg et al

J Hypertens. 2025 Jun; 43(6): 976–985.https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12052061/